[Quinta-feira, Novembro 13, 2008]

Não empresto meu grampeador.



- Ai moço, me empresta seu grampeador?

Ará... brincou! Pleno shopping, sábado, um monte de gente entrando e saindo (no bom sentido), e eu vou emprestar o Rogéro (o grampeador vermelho que está aqui no serviço faz mais tempo que... o a última vez do selinho de Crew?). Mas nem, mas neeeeem morto!

- Tem jeito não, moça!
- Nossa, mas eu preciso tanto...
- Mas infelizmente, são normas da loja...
- Moço, é caso de urgência...
- Eu entendo, ou melhor, acho que entendo o que uma bela moça quer com um grampeador, em pleno shopping center...
- É que minha amiga está precisando demais...
- Piorou! Nem é pra você, é para sua amiga...
- É, para a Paula...
- Ta! Aí eu empresto o grampeador pra você e você empresta para Paloma...
- Paula!
- Paula, Paloma, Palomina, tudo é a mesma coisa... todas vão me dar o cano.
- Mas moço...
- Sem nem conversa... não empresto NEM FUDENDO!
- Poxa, não precisa ser tão grosso, tão sem educação...
- Desculpe... força do hábito!
- Tsc! Minha amiga vai ter que ir embora então...

Tem um ditado que diz que a curiosidade matou o gato...

- Embora?
- É! É que o fecho-e-clair dela estragou...
- É mesmo?
- É! E eu estou aqui justamente para poder... pregar o fecho da saia dela...

Ai! Taradeza também matou o gato!

- Coitada... mas se a saia for longa...
- ... curtinha!
- ... então coloca a blusa tampando...
- ... bustié!
- ....

Ah, que carinha mais... lindinha! A moça devia ter uns vinte e pouco de puuuura malícia! Fez beiço e eu caí... mas emprestar, jamais!

- Olha... vou te ajudar!
- Então me empresta! JURO QUE VOU DEVOLVER!!!

Hahahahaha! Tadinha! Se ela soubesse que eu, Astrogildo, sou um dos Inimprestáveis, ela não falaria uma frase desta...

- Infelizmente, eu vou ter que ir junto com o grampeador...
- Como assim?
- Ora... eu, e somente eu, grampeio!
- Mas não precisa, moço...
- De jeito nenhum! Este grampeador não pode ser manuseado por outras mãos sem ser A MINHA!!!
- Poxa...
- E aí... vamos lá?

E eu, cruzando o shopping com aquela beldade... fiiiino de garagem!! E imaginando o filezinho que estaria lá na loja, com a calcinha aparecendo por entre a mini-saia... ah, Astro... você é um demônio!

- Paula! Arrumei um grampeador...

Cara! Que morena! Uma mini-saia na altura do umbigo e a outra parte de baixo... bem, como podemos dizer, pouquíssimo pano! Cabelos longos, negros... um umbiguinho deliciosamente esculpido numa barriguinha morena, pelinhos loiros fazendo o caminhozinho... ai! Vou pregar até minha cueca... e cadê a saínha aberta?

- Ai amiga, eu consegui dar um jeito meu no fecho-e-clair. Mas com o fecho da calça do Tadeu não...

Já ouviu falar no APA?? AAAAPAPUTAQUEOPARIU? Deu até vontade de virar as costas (no bom sentido) e fingir que nem tava aí para nada, levar meu grampeador pra loja, enfim, dar uma de Zé Migué! O problema foi o medo de tomar uns tablefes na fuça! O tal do Tadeu parecia um dos Gracie...

- Tadeu... ele falou que ninguém põe a mão no grampeador dele...
- Ô AMIGO... ENTÃO QUEBRA O GALHO DE GRAMPEAR AQUI PRA MIM... MAS CUIDADO, QUE TÁ BEM JUSTINHO E EU NÃO QUERO ME MACHUCAR... E NEM MACHUCAR VOCÊ, ENTENDEU BEM?

Astrogildo Silveira
PS.: Ah, se eu tivesse sentido alguma ereção! Pregava um grampo na rola do cara na hora! Era fimose grátis! Depois eu corria... se desse, né?




[Terça-feira, Outubro 28, 2008]

Não empresto meu pen-drive.

Detonô geral! Chup-Chup na área e se derrubar é pênalti... e eu bato com paradinha! Paradinha, sacou? Só pro cara ficou doidão... na maior responsa, porque sou profíssa.

Aqui... tem nêgo aqui neste blog que fica bancando pinta de que não empresta nada, que é isso e aquilo e que não PEGA nada emprestado, mas vocês tão é enganando o leitor! Aqui todo mundo, ou "alguns", pegam emprestado e o pior: NÃO DEVOLVEM. Olha o caso do Sã, figuraça! Sã, gente... Sandrinho da Balayage, famosíssimo cabelereiro das divas da cidade. Pois é... eu e ele somos, primeiramente, predadores da mesma espécie (nós adoramos homens... ), e entramos aqui nos Inimprestáveis justamente para poder falar de coisa que a gente não empresta. O Sã, com certeza, não empresta sua escova, seus pentes... e eu um monte de acessórios de uso do trabalho (que saber?).

Pois é... ele mora, literalmente, perto de mim. Sabe aquele perto longe? Este mesmo! Dia destes o Sã apareceu, toda louca, querendo saber se eu tinha um pen-drive. Falei que tinha (e já ressabiada) e perguntei: “pra quê?”.

A gente que não gosta de emprestar tem um mal, gente... um mal que é falar que não tem as coisas! Pode ser um clipes de papel que você fala que tem em algum lugar! Papel higiênico? Tem... tem um, que tá usando! Pode emprestar? Nem uma folha... você não sabe o que pode sair do seu cú? Cachoeira? Bosta bem medida, bem feitinha, que não gasta nem duas folhinhas? Você não sabe e vai emprestar? Na bobagem, Sandrinho falou que era para poder gravar uma coisa lá, sei lá que merda era, mas era urgente... e meu coração amoleceu!

E nesta eu caí dura! Falei que tinha e Sã me pediu emprestado. Meu pen-drive!

Poxa... Sandrinho da Balayage é dos nossos, sabe que, SE pegar, tem que devolver... quer dizer, em outras palavras, o que nós pregamos nós temos que honrar, caralho! Porra! Boooceta! A gente, se não honra nossas calcinhas (ou cuecas), vamos fazer o quê aqui, neste blog?

ESTE FOI O DIVISOR DE ÁGUAS.

Emprestei, sabendo que amanhã, no mais tardar depois de amanhã, teria meu pen-drive de volta.

Lêdo engano.

Eu era a próxima à escrever nos Inimprestáveis, tava no meu email que nós, internos, mandamos um para o outro: “você, sua puta, é a próxima”. Era dia 21 de fevereiro, quinta-feira, e eu só pensava no meu pen-drive que tava com o Sandrinho.

Pensei em escrever sobre o assunto, mas Madalena, sempre autoritária, me impediu! Falei com Tiburcinho sobre o ocorrido, ele ficou besta e, gente... coisa que me decepcionou demais, Tiburcinho “Não-Não”, que é um poço de sabedoria das coisas de não emprestar, me disse, na cara de pau: “perdeu... ele não vai te devolver”. Astrogildo foi o que mais me defendeu, mas depois, sei lá, depois que eu mostrei a foto... desistiu de me ajudar!

A ira, gente, a ira é coisa do demo! Meu pen-drive, gente... meu pen-drive era meu, não do Sandro! Aquele gay! Comecei a perder noites de sono (não que estava trabalhando) e aquela angústia de ter meu pen-drive começou à me atrapalhar no serviço também. Eu estava bem lá, de quatro, o cliente bombando por trás e eu lembrando do meu pen-drive... não tem como fingir orgasmos, né?

E quando olhava uma piroca que me lembrava dele?

Teve um dia que eu chorei, juro!



Por estas e outra, Sandrinho da Balayage... peço que me devolva meu penis-drive, ouviu? Tudo bem que eu não mais liguei para você, mas era para que você, sua biba, se tocasse que o objeto que está, monentaneamente em seu poder, é meu, e não seu! Aposto que você já descarregou, carregou, descarregou, carregou e fez isso inúmeras vezes... mas o emprestado tem que ser devolvido.

Por favor.


Crewdylene Chup-Chup
PS.: no final de semana tenho um compromisso profissional com uns 5 japoneses cheio da grana. Não me faça chorar no trabalho, viu?




[Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008]

Boca aberta!

Aêeee, chiqueeee! Esta historinha, ahhh, esta historinha de hoje vai te deixar com a boca cheia...

Conheci um carinha rico, um carioca saradão, delícia de... cliente... que me levou para uma viagem, uma longa viagem para conhecer os Tigres Asiáticos.

- Ai, Riquinho, (porque ele era podre de rico, sabe?), mas para quê a gente vai conhecer logo tigre... tenho medo! E se eles me estranharem...
- Crewdylenne... estes tigres não são felinos, são... países!


Foda, nem bem conhecia o cara direito e dei este vacilão. Só depois, no aeroporto, que acessei a internet numa lan-house e vi que a expressão Tigres asiáticos refere-se às economias de Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan, este último, o lugar onde a gente estava indo.

Passaporte para lá, avião, uma pegadinha de leve e chegamos em Taiwan... quê? E o que isso tem à ver com o blog? Ahhh... é porquê a gente nunca, nunca deve emprestar...

- Ai, Riquinho, que fome!
- Tá com fome? Me empresta esta sua boquinha, então?
- Aaaaai, Riquinho, seu tarado! Mas aqui, no meio desta multidão?
- É! Abre a boca e fecha os olhos!
- Tá bom!! Ahhhhhhhh...


E ele tacou um negócio na minha boca, mas não era "isso" que você está pensando não, ok?

- Mastiga e engole!
- Maaaxx u qié ijso...
- Larva! Churrasquinho de larva! Pode abrir os olhos...




Crewdylenne Chup-Chup
Ps.: ele é moreno, cabelos cacheados, um par de olhos castanhos claros e dono de uma boca linda e maravilhosa... mas mesmo assim, vomitei nele inteirinho! Vai, trouxa, vai "emprestando a boquinha" para estes... estes... monstros sádicos!!
Ps2.: e você, ficou também com a boca cheia? Cospe, minha filha, cospe... cospe ou engula despistadamente!





[Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008]




----- Mensagem Original -----
De: lindinhaamorzinho@................com.br
Para: osinimprestaveis@yahoo.com.br
Enviado: Quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Assunto: Não se empresta a boneca da Paris Hilton.

keridus amigus du blog + fofu da net...... meu nome eh lindinha amorzinhu (nome ficticiu...logicu)...moru num kondominiu d altu luxu aki na minha cidadi...meus pais saum podres d ricus i eu tenhu tudu nesta vida...... naum so 1 menininha...mas tb naum so 1 mulhe (amu a britney............ ai!!!!!) i adoru...d paixaum...minha kolessaum d bonecas i d ursinhus!!!!! pois bem.................. aih...komu tava dizenu...tenhu 1 amigona msm...ke mora em otru kondominiu d altu luxu proximu au meu ke ganho d 1 tia 1 boneca da paris hilton...... ai...ke tudu!!!!!!!!!! a boneca eh leenda d+...... tem us trassus dela...perfeitinhus...tem ropinhas...tem akela mercedez roza...tem estoju d makiagi.................. iguau as minhas inumeras barbies i as suzies...... pois aih ke esta boneca naum tah senu vendida aki nu brasiu...acredita??!?! soh na europa!!!!! i eu vo p lah soh em dezembru ou novembru...acredita??!?! vo ficah esti tempaum todu aki nesti pais fudidu!!!!! pois entaum.................. peguei meu celulah i liguei p meu pai ke tava em londres!!!!! foda.................. ele jah tava nu aeroportu...peganu seu jateenhu particulah...i me dissi ke naum iria komprah pq tinha 1 kompromissu em saum paulu em 4h)...... ke sacu!!!!!!!!!! aih ke me deu akela luz: vo pegah emprestadeenhu da taty (a minha miga) i dpois vo devolve!!!!! huahuahua!!!!!!!!!! i naum eh ke ela me empresto??!?! a taty gosta d bonecas...tem a msm idadi minha...mas tah em otra...sabe??!?! kurti + jogah volei...praia.................. eu ateh ke gostu tb...mas sai kom siguranssa na sua kola eh 1 peh-nu-sacu...naum eh??!?! pois bem.................. levei a boneca p kaza...decidida a naum devolve d jeitu nenhum (afinau...qtas i qtas vezes jah emprestei kd's...livrus...revistas...batons...estas koisas todas p minhas amigas i nunca me devolveram??!?!)...... resolvi discontah na taty: a boneca da paris hilton agora iria se minha!!!!! xeguei nu meu 4o i a kolokei nu 1/2 das minhas otras bonecas...bem nu 1/2 delas...komu 1 trofeu (1 trofeu ganhadu d forma bem sacana...mas msm assim...1 trofeu)...... nissu 1 otra miga me ligo p genti faze kompras nu xopping: fui!!!!! xamei u motorista i fomus!!!!! qdu voltei...+ a noiti...ovi 1 barulhu d musica vinu d dentru du meu 4o i parecia ke tinhamn pessoas danssandu...... abri a porta i u ke eu vi??!?! a boneca da paris hilton danu a maior festa dentru du meu karteenhu roza!!!!! tava tudu reviradeenhu genti!!!!! minhas pessas intimas estavam todas espalhadas...meu diariu...meu diariu tava todu rasgadinhu (ai...ke doh)...minha kama tava toda reviradeenha!!!!! me assustei...logicu!!!!! korri p kozinha p bebe 1 gole d'agua i voltei p meu 4o!!!!! seria 1 sonhu??!?! abri a porta i tava lah...a suzie i a barbie "kolanu u maior velcru"...enkantu u ken pegava a paris d kata-kavacu!!!!! karamba...ke locura!!!!! foi engrassadu a 1a semana kom a paris...mas kom u tempu passanu...dah d kara kom estas cenas...toda santa noiti...foi ficanu xatu...... 1 dia minha mai apareceu na porta du 4o i pergunto c eu tava venu filme d sacanagi...acredita??!?! a boneca geme d+...mas mtu msm...i u ken...u maridu da barbie...jah tava komessandu a arriah!!!!! fui observanu ke a barbie soh pensava em bebe u meu esmalti da payot...enkantu a susie...ah...a susie soh keria sabe d danssah na boati d brinkedu ke vem juntu kom as bonecas!!!!! a paris toda hora korria atras du ken (emagreceu u bonecu d tanta sacanagi)...ke korria atras dus meus ursinhus (eh...u ken viro komedor d ursinhu d pelucia tb) i meu 4o viro 1 verdadera zona!!!!! issu ateh a taty...minha miga...me pedi d volta u brinkedu ke ela ganho...... i agora...pessoau dus inimprestaveis??!?! komu devolvu a boneca??!?! a paris tah me ensinanu kada koiza ke me doi u korassaum d me ve devolvenu u brinkedu ke peguei emprestadeenhu...... me ajudi...por favor!!!!!

lindinha amorzinhu






[Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008]

A nova gramática brasileira A NÍVEL de salão de beleza



Desde que fui convidado para escrever aqui n'Os Inimprestáveis, andei pensando sobre a língua portuguesa e essa coisa gramática da vida. E antes de, realmente, começar a escrever para esse blog irresponsável, preciso falar sobre as coisas que ouço diariamente no meu salão, e que me dão nos nervos.

1. Não existe ASTERÍSTICO. Parô, viado. É ASTERISCO. Aquele sinalzinho que se coloca uma vez numa parte do texto e outra no rodapé, pra puxar uma referência.

2. Água não tem PRESSÃO. Não, meu povo. Pelo amor de Deus. Por favor. Por Tara. Quem teve pelo menos uma aulinha de física sabe muito bem que pressão é a força normal (perpendicular à área) exercida por unidade de área. Ou ainda a pressão correspondente a 0,760 m de Hg de densidade 13,5951 g/cm³ e numa aceleração da gravidade de 9,80665 m/s2, no caso da atmosfera, ou mesmo a pressão exercida pelo sangue contra a superfície interna das artérias, cuja força original vem do batimento cardíaco. Água não tem pressão, mona, tem FORÇA. Não me mande diminuir a pressão da água do lavatório, que a pressão intracraniana do seu cabeleireiro vai a mil. Please.

3. Ninguém tem BAIXA-ESTIMA. Gente, eu fico enlouquecido quando chega aquela madame, reclina-se no meu lavatório e diz: "Ai, Sandrinho... eu precisava vir ao seu salão pra dar um upgrade... eu ando com uma baixa-estima...". Oh, Senhor. Eu falto lavar os cabelos da racha com um maçarico, de tanto asco. É AUTO-ESTIMA, que pode estar baixa ou alta, dependendo do quanto seu português é ruim ou bom.

4. Você não pode estar colocando nada. Eu não posso estar cortando seu cabelo em camadas pra ficar repicado. Por favor.

5. Não existe MENAS. É MENOS. Menos não é uma palavra que muda de gênero, honey. Mulher muda de gênero, homem muda de gênero, cabeleireiro muda de gênero, MENOS a palavra "menos". E todo mundo sabe disso, menas você.

6. Não SEJE ignorante, SEJA uma pessoa mais colocada, minha filha. Eu fico bege quando ouço esse tipo de aberração.

7. Seu cabelo está meio feio e sua pele está MEIO derrotada. Não seja MEIA burra. Não seja uma mulher MEIA desinteressante. Quando eu ouço isso, já imagino a pessoa saindo embaladinha da fábrica da Puket. Jésus.

8. A nível de. Não existe a nível de. A nível de cabelo, o seu dá uma ótima palha de aço. Ai que ódio.

9. Subir pra cima, descer pra baixo, entrar pra dentro, sair pra fora, dar ré pra trás, adoçante diet. Não digo nada.

10. Depois de tanta porcaria junta, só ficando EMBREAGADO pra aguentar AS COISA. AGENTE VAMOS procurar um A GENTE secreto pra cuidar desse assunto. Cruzes.

Gente, um português bem escrito e bem falado é um tudo. Por isso eu quis mudar meu salão de Cascadura pra Barra, mas pelo visto nem lá eu consegui me safar totalmente desse mal que assola a humanidade. Vamos tentar tornar esse blog uma coisa mais limpinha. Beijomeliga.

Sandrinho da Balayage

P.S.: E por favor, vê se não pede pro médico TIRAR sua pressão, porque se ele fizer isso, você morre. Tá gongada? Eu hein?




[Sexta-feira, Janeiro 11, 2008]

Não se empresta: modelo de curriculo... e teclado de computador.



Vou contar um segredo para vocês, Inimprestáveis, que nunca, mas nunquinha contei para ninguém: não se deve emprestar modelo de currículo. E teclado de computador!!!

Esta história aconteceu há vários anos, tipo uns 4, 5 atrás, quando eu tinha (ouça bem: tinha!) uma amiga chamada Stellynha! A Stellynha era uma mulher linda, vistosa, peitões, bundona, do jeito que os homens gostam. E eu, eu era a Rosuelma, "a" amiga "oculuda" da Stellynha. Pois é... eu era amiga dela, e ela me considerava como uma "bajuladora". Sim, bajuladora, acredite... eu custei à acreditar, mas era a mais pura verdade.

Na época pensava que, só por estar perto dela, conseguiria ser aceita na nossa escola! Vã ilusão... ela, na realidade, me explorava nos exercícios, nos trabalhos acadêmicos, nas anotações da aula. Eu fazendo o serviço e ela paquerando os rapazes, aprendendo à fumar, beber, dar, pagar um... ou seja, a trouxa aqui ralava e a Stellynha só na maré mansa.

O dia que acordei para a vida foi o dia que emprestei meu currículo para aquela vaca! Estava procurando um emprego, de secretária mesmo, aqui em Brasília. Abri o jornal e vi o anúncio:

"Dentista em início de carreira precisa de secretária sem experiência. Boa remuneração. Tratar no telefone (061)-XXXX-XXXX - Dr. Atolamáz Noburak Innho"

Fiquei louca, pois era a minha chance, minha primeira e grande chance de conseguir o meu primeiro emprego. Liguei no telefone e aquela voz grossa, aveludada, voz de homem com H maiúsculo me atendeu. Encharquei toda!

- Pois não?
- Meu, meu no... nome é Ro.. Ro... Rosuelma!
- Pois não, Rosuelma... em que posso ser útil?

Ai, que voz. Se de voz ele já me ganhou, imagina então o resto da obra? Falei que queria encaminhar um curriculo e ele me deu o endereço. Quando já estava saindo, toda "anestesiada" pelo grave da voz daquele dentista, quem me chega em casa? Sim... minha "amiga" Stellynha! Me perguntou onde eu iria e eu, trouxa, falei que estava indo no consultório do dentista tal me apresentar para um emprego de secretária. Ela parou, olhou para mim, e me perguntou o que estava acontecendo comigo. Foi quando eu contei da voz do homem. E que voz grossa, grossa como... como... já imaginou se for grossa como a voz? Foi quando a "piranha", já bem interessada, me perguntou se eu tinha um modelo de curriculo para emprestar para ela:

- Um modelo de currículo, Stellynha querida? Você vai trabalhar?
- É, amorzinha... estou pensando em trabalhar também...
- Bem... tem alguns da internet que são bons...
- E este seu aí?

Foi quando me lasquei. Ela "amou" meu currículo, bordadinho, cheio de firulinhas, e quis um igual. Ela foi no meu computador, abriu o Word, achou meu currículo e, como "ambas" estudamos no mesmo colégio, "ambas" não tinham experiência profissional, "ambas" não tinham cursos técnico nenhum, "ambas" não tinham porra nenhuma para encher linguiça no C.V., só trocou o nome: Stellynha Matyldis Filomena Stercolina. E imprimiu.

E imprimiu (estou repetindo, para te mostrar como sou burra) umas 3 vezes, gastando minha tinta e meu papel A4. E saiu comigo (só estou te mostrando como sou trouxa) para o consultório, e ainda me fez pagar sua passagem do 171, que passa no setor hospitalar! Chegamos e fomos atendidas pelo doutorzinho. E que doutorzinho! E que homem! Nós ficamos de boca aberta, literalmente, pelo odontologista.

- Quem é a Rosuelma?
- Ai (suspiros), sou eu! Vim entregar meu currículo...
- Muito bem, Rosuelma... alguma experiência?
- Nenhuma!
- Nenhuma?
- Nenhuma!
- Hummmm....

Foi quando a Stellynha entrou na conversa:

- Com licença, com licença...
- A senhorita é...
- Sou amiga da Rô... "" o meu currículo!
- Olha... os currículos são iguais.
- É... mas eu tenho MUITO MAIS EXPERIÊNCIA!!

Levei um toco! Um toco fudido. Para falar a verdade, levei UM SENHOR DE UM TOCO da minha "amiga", ou melhor, "ex-amiga" Stellynha! Mas o pior mesmo, o pior é que aquela "galinha", virava e mexia, me ligava falando que estava muito feliz no novo serviço e que todo dia, depois do expediente, mostrava para seu patrão TODA A SUA EXPERIÊNCIA adquirida nos tempos de escola/bar/festas e etc. E o serão-extra era em motéis em BSB, fazendas próximos à Goiânia e três vezes lá no Rio de Janeiro, num tal de congresso que ele à levava à tira-colo!

Ai ai... quem mandou emprestar o currículo. Eu poderia estar... poderia... tsc!

Rosuelma do Carmo
PS.: ah, o teclado? Pois é... como o dentista estava ainda montando o consultório, lá tinha o monitor, o CPU e o mouse... faltou um teclado! E quem emprestou? Eu! Ficaram com meu teclado por uns 4 anos, aquele dentista e aquela "ex-amiga". Você acredita que eles me devolveram antes de ontem? Sim... me devolveram, mas é humanamente impossível voltar à utilizá-lo, por um motivo óbvio: sujeira, e não é de café (como na figura acima). É de outra substância orgânica, aquelas que o corpo expele quando tá, quando tá naquela, naquela... porra! Ai, que nojo!




[Terça-feira, Janeiro 08, 2008]



Título: Aprenda como se fuder na vida

Autor: Os Inimprestáveis
Editora: PQP!
Disponibilidade: quase imediata
Produto em estoque: alguns poucos exemplares

Previsão de Entrega*:
Sempre no dia 30 ou 31 de fevereiro¹.

¹ Se você morar muito longe, tipo AMAPÁ, RORAIMA, ACRE... só quando passar o Cometa Halley...



Este primeiro livro da turma dos Inimprestáveis concentra-se em questões relativas ao comportamento do ser humano, reunindo vastos problemas e dúvidas que o leitor porventura tenha em relação "à certeza de que está fazendo a coisa certa para se fuder na vida". O livro também conta com perguntas dos (poucos) internautas que freqüentam seu site e que são respondidas por e-mail (osinimprestaveis@yahoo.com.br).
Ele é composto de capítulos "curtos, grossos e curiosos, bem no estilo irreverente dos Inimprestáveis, distribuído por assunto e escrito em linguagem direta, coloquial e muito, mas muito bem-humorada. Se você não tem certeza que está se fudendo na vida, tem que ler o livro.


"Depois que li o livro, gente, nunca imaginei que poderia pensar desta maneira"
Glorya Marya, minutos antes de pedir água e largar o Fantástiko na mão da poetinha


Como se fuder no emprego - parte I


Se você tem um emprego, mais um motivo para se preocupar, pois sabemos muito bem que se fuder, empregado, é um pouco mais complicado que se fuder sem fazer porcaria nenhuma da vida. O homem empregado carrega uma cruz imensa, pesadíssima, e a todo momento alguém aparece para tentar avacalhar com a procissão.

Tenha sempre em mente que para se fuder no trabalho, é necessário vivenciar e transpassar degraus de aceitabilidade entre companheiros, entre os colaboradores externos e internos para, finalmente, se fuder diante da chefia. Muitos iniciantes já "arregalam os olhos" na ferrada vinda diretamente da Diretoria, mas não se iluda muito com a possibilidade: só gerentes e superintendentes, à priori, são escurraçados pelos diretores e donos de empresas. Funcionário ralé, como você, é comido, fodido, escurraçado, pisoteado, chutado pela chefia, que em termos de hierarquia, é também chamado a "ralé dos comandantes".

No próximo capítulo, iremos tratar do chefe sendo fodido pelos diretores.

Bem, para começar bem o trabalho, para começar bem o primeiro dia na empresa, tenha sempre em mente que você é uma ovelha nova num rebanho. Você é um cordeiro, melhor dizendo, recém chegado numa comunidade onde os outros bichos já se conhecem, já se conversam, já se tocam, uns até mantém relacionamento afetivo ou de ódio ao extremo. Você acabou de passar no Recursos Humanos, foi admitido e está indo trabalhar. Para começar bem, mas bem mesmo, saiba que sempre existe uma gostosa que trabalha na mesma empresa que você...

Colocou isso em mente? Ah, isso! Comece à procurar! Fique uns dois, três dias, analisando os atributos delas. Almoçe rápido sua marmita e fique batendo ponto no relógio, só olhando, secando, e de preferência, sem conversar muito. Seu bote tem que ser certeiro: você tem que pegar a mais gostosa, a top-model das funcionárias, a Gisele Bünchen das estagiárias ou, ou... não importa, você tem que chegar na mais deliciosa! Achou? Analisou todos os detalhes? Ótimo... agora você vai chegar perto daquele companheiro de trabalho, aquele único que você troca meia dúzia de palavras durante todo o expediente e comente, sonde, pergunte quem é ela! Só isso, não deixe-o perceber suas verdadeiras intenções! Geralmente este cara vai te falar quem ela é, com quem anda, se gosta da noitada, se enche a cara de cana e se tem alguém do trabalho comendo! Guarde tudo, lembre de todos os detalhes, todos! Seu próximo passo vai ser justamente, chegar nela.

A funcionária gostosa vive rodeada de funcionárias menos gostosas. Algumas até se equiparam, mas a mais gostosa se destaca na multidão e é difícil abordá-la sem nenhuma das amigas não menos gostosas. Tarefa dificílima é, então, passar sua mensagem para ela! Tente, primeiro, no cartão de ponto dela, colocar uma mensagem romântica. Isso, faça isso! Pegue um clipe de papel, um pedaço de guardanapo e escreva alguma coisa bem bonita! Chame-a para sair, para tomar um chopp depois do expediente, pegar um motelzinho, uminha antes de ir para casa! Não custa nada! Escreveu? Não assine, seu otário!! Isso, isso, olhe para os lados, isso... tome cuidado para que ninguém te veja colocando o seu bilhete de amor no quadro! Ok? Agora é só esperar o desenrolar dos fatos.

Chegou a hora do almoço e próximo ao relógio de ponto um burburinho só! Sua tática deu resultado: todos já estão sabendo que alguém naquela empresa tá afim de comer a gostosona! Até o chefe, que ficou puto da vida porque alguém teve a idéia na frente dele. Sim, o chefe! Ele, mais que ninguém, é afim de comer a gostosa, porquê não? Mas não tem colhões para chegar junto com medo de um processo de assédio sexual... ou que ela arme um escândalo, sua patroa fique sabendo, ele perca o emprego e vai virar subalterno de novo... não, isso para o chefe é pior que a morte! Você sabe disso e aproveita para levar à diante seu plano: pegar a boazuda! O zum-zum-zum corre solto, olhos correndo solto nos corredores, todos procurando "quem será que foi o engraçadinho", mas ninguém suspeita de você, já que acabou de chegar, está "em experiência", e nunca iria dar a bobeira de perder o emprego. Você tá fora... mas o cara lá do Financeiro, um engraçadinho, tá quase no olho da rua! Dois dias, deixe passar dois dias, aproveite uma quinta ou sexta-feira, chegue sorrateiramente por trás da sua presa de cabelos longos, cheirosos, segure na sua cintura e, no ouvido, diga, machamente:

- Hoje você está com uma carinha triste! Que tal uma noite num motel com um homem de verdade para melhorar este seu astral?

A resposta será um "não" redondo. Ela sairá, meio desnorteada, e relatará aquele ocorrido para as amigas. As amigas relatarão o fato, com alguns detalhes à mais, para os colegas de serviço que, por sua vez, relatarão a sua aproximação para o chefe, dizendo que rolou até uma passadinha de mão discreta. Todos passarão à te odiar naquele momento, que é o primeiro passo para que você se foda direitinho no trabalho num futuro próximo, bem próximo.




[Segunda-feira, Janeiro 07, 2008]



Título: Aprenda como se fuder na vida

Autor: Os Inimprestáveis
Editora: PQP!
Disponibilidade: quase imediata
Produto em estoque: alguns poucos exemplares

Previsão de Entrega*:
Sempre no dia 30 ou 31 de fevereiro¹.

¹ Se você morar muito longe, tipo AMAPÁ, RORAIMA, ACRE... só no dia 30 ou 31/02 do próximo ano.



Este primeiro livro da turma dos Inimprestáveis concentra-se em questões relativas ao comportamento do ser humano, reunindo vastos problemas e dúvidas que o leitor porventura tenha em relação "à certeza de que está fazendo a coisa certa para se fuder na vida". O livro também conta com perguntas dos (poucos) internautas que freqüentam seu site e que são respondidas por e-mail (osinimprestaveis@yahoo.com.br).
Ele é composto de capítulos "curtos, grossos e curiosos, bem no estilo irreverente dos Inimprestáveis, distribuído por assunto e escrito em linguagem direta, coloquial e muito, mas muito bem-humorada. Se você não tem certeza que está se fudendo na vida, tem que ler o livro.


"É o melhor livro de auto-ajuda desde o Doce Veneno do Escorpião"
Ryta Cadinlaque


INTRODUÇÃO


"Será que eu vou me ferrar desta vez?"

Se você tem esta falta de confiança em você mesmo, se você não tem absolutamente certeza que vai conseguir alcançar seu intento, se você tem dúvidas quanto ao seu carisma, seu poder de persuasão, seu comprometimento, sua astúcia, sua habilidade, enfim, se você acha que tem dúvidas que está fazendo a coisa errada, este é o momento de parar e refletir suas atitudes. Todo mundo se ferra, e se fuder é uma coisa muito complicada de se conseguir. Não vai ser na primeira que vai conseguir, pode até ser que sim, mas vai se tratar de obra do acaso, um fato isolado na coletividade. Para se ferrar mesmo, fuder com tudo, lascar geral, você vai precisar de toda a ajuda que você tem disponível, seja com instrumentos, seja com palavras, seja com atitudes de terceiros. Se ferrar não é como os outros dizem, "coisinha besta", mas sim uma puta duma coisa fudida de grande.

A todo momento alguém se fode! E se fode bonito! E você? Você já se fodeu hoje? Ao acordar, tenha sempre em mente que você, em algum momento daquele dia, vai se foder! Esteja preparado para a situação, não deixe que ela passe por você. Pule de cabeça na situação, vá com ela, prossiga no intento e não desanime nunca! A cada dia alguma coisa de foda acontece com alguém próximo, distante, longe para caralho... e contigo também. Levante sempre a cabeça, olhe firme para o horizonte, observe ao seu redor, procure, procure insistentemente alguma situação onde você possa se lascar todo, ser esculhambado, ser pisado, ser posto abaixo de zero e ser considerado um rato leproso banguelo. Situações assim acontecem à todo momento... basta saber onde você pode se encaixar.

E, conseguindo achar um lugarzinho só para você, lembre sempre que a situação nunca é tão ruim quanto parece... e pode piorar mais, sempre mais. Tudo depende de você!

Os Inimprestáveis.




[Sexta-feira, Janeiro 04, 2008]

Exmo. Sr. Dr. Excelência Maior das Divindades Conhecidas da 1ª Vara da Seção Judiciária do Universo Desconhecido







Deus, também chamado de Javé, Jeová, Allah e também conhecido por "Ele", "O" Salvador, "O" Criador ou "O" Supremo, solteiro, brasileiro, isento de possuir CPF e RG por determinação supraconstitucional, residente ao Palácio do Céu, s/nº, bairro Celeste, Céu Azul, vem, com fulcro na Constituição da Coisa-Pública do Universo, art. 56.879, inciso CMLXIX, e da Lei Maior instituída pelo Conselho dos Mestres dos Magos, impetrar

MANDADO DE SEGURANÇA, COM PEDIDO DE LIMINAR

contra Adão, sem sobrenome conhecido, sem CPF e nem RG, estabelecido à Rua do Paraíso, s/ nº, primeira à esquerda depois da macieira sagrada, bairro Paraíso, planeta Terra, pelos fundamentos de fato e de direito que se seguem.

1. DOS FATOS

1.1 O Impetrante é legítimo criador da raça humana, reconhecido em todos os livros sagrados e laicos como criador do primeiro homem, Adão, o impetrado nesta peça processual, feito através de barro, argila ou substância similar (que não bosta, fezes, excrementos).
1.2 Nesta condição de criador, tem competência para decidir como bem convir na destinação de sua obra, dando à ela fim que lhe aprouver, assim entendendo como cessão, locação, comodato, empréstimo, consignação e outras formas de fim.
1.3 Como não previsto no contrato verbal feito no momento da criação, Adão, algum tempo depois de receber forma humana (doc. anexo), criou a mulher.
1.4 Ocorre que tal sublocação de criação, mesmo advinda da primeira criação, figura-se, portanto, objeto e propriedade intelectual do Impetrante.
1.5 Do plágio da criação pelo Impetrado, a humanidade se viu beneficiada com o objeto mais desejado pelo homem: a bunda feminina, justamente por esta possuir contornos peculiares, maciez, textura e outros atributos que lhe tornam únicos.

2. DO DIREITO

Os céus e a terra foram criados por Deus no princípio (Gênesis 1 X 0). Depois foram as outras coisas, menos o aparelho de televisão (Phil Collins 1 X 1). Quando tudo estava perfeito e bem ordenado de acordo com seus planos, Deus criou o homem e o colocou no meio. (Gênesis 2 X 1). O homem, sozinho, inventou a cerveja e o tira-gosto. (Phil Collins 2 X 2). Deus fez todo o universo para seu filho. (Gênesis 3 x 2). Adão puxou um pedaço de sua costela e a transformou numa linda e desejável mulher, com um pandeiro de dar inveja. (Phil Collins 3 X 3). Como o empate beneficiava os donos da casa, a Cobra deu vitória para Adão e levou para casa o troféu.

2.1 O Impetrante aponta a inconstitucionalidade do Decreto-Lei 854.987/02-1 que alterou o quadro dos árbitros da FIFA naquela contenda determinando, na feita, juízo imparcial. Dado o momento histórico vivido, não foi percebido, até este momento, que tratava-se de juiz absolutamente incapaz para dirimir assuntos celestes.
2.2 O Impetrante aponta, ainda, que de tal falha, legitimou-se, in casu, a "certeza irreconvicta" de que a bunda é propriedade humana.
2.3 O festejado doutrinador da Inquisição Espanhola, Tomás de Torquemada (1430-1481) dá os delineamentos do princípio inscrito no dispositivo constitucional da propriedade:

"Temo não ser compreendido pelos mais jovens,
mas se de um judeu, ou uma bruxa ou quiçá de
um infiél lhe retiro as vísceras, de quem é a propri-
edade? De nosso Senhor! E se dele retiro-lhe os
olhos ou os pulmões ainda pulsando? A resposta,
meu Rei, será que aquele naco de carne é do Se-
nhor! Agora se corto esta bundinha desta linda ci-
gana Sandra Rosa Madalena no chicote, todo mun-
do reclama e tem dó? Afinal, esta bunda também
não é do Senhor?"


2.4 Pelo Princípio da Criação, impõe que somente o Senhor detém as rédeas de toda a criação, e que este o pode fazer através de lei, norma geral e abstrata, emanada pelo Poder Divino. Tal disposto se encontra no art. 56.214.201.544 do Livro das Promessas, Edição Única.
2.5 Como se pode ver, está irraigado, desde antes da Inquisição Espanhola (momento máximo da fé no planeta Terra), de que a bunda não é propriedade Divina. O corpo humano, como um todo, é de Deus, mas o traseiro feminino não! Uma bela bunda de mulher se exclui das determinações supraconstitucionais previstas no ordenamento celeste de tal modo que a mesma se torna indissosciável da religião e do Criador justamente pela grave falha apontada no item 2.1.

3. DA MEDIDA LIMINAR

3.1 Diante do exposto, exsurge a inolvidável presença dos requisitos que recomendam a concessão desta medida liminar: fumus boni iuris e periculum in mora
3.2 O fumus boni iuris, ou a fumaça do bom direito, resta suficientemente demonstrado na presente peça, assentando que o Impetrante, no momento da criação da sua criação (sublocação de objeto de sua criação - o homem), tornou-se vítima do crime de plágio. Deus criou o homem, com bunda, e a criação do homem, ao criar Eva, modificou a criação da criação, dando contornos mais avantajados e propriedades hipnóticas. Deus e sua criação foram plagiados, e portanto, conforme exemplifica este mandado, ferido no seu direito.
3.3 O periculum in mora por sua vez, configura-se na possibilidade da segurança do direito à propriedade da bunda feminina ser ineficaz, caso concedida somente ao final desta contenda judicial, posto que o Impetrante ficará sujeito à denegação da sua criação pelos homens.

4. DO PEDIDO

4.1 Destarte, requer o Impetrante:
a) pede que seja notificado o Sr. Adão para prestar as informações que entenderem necessárias
b) a concessão de medida liminar para determinar que a bunda feminina é propriedade intelectual do Criador;
c) que o Impetrado seja condenado pelo crime de plágio, constante no art. 584.521 da Lei das Criações Divinas, em concurso com o crime de descaminho de almas para o inimigo (art. 666 da Lei das Contravenções Capetais) por submeter propriedades hipnóticas à criação de outrem.
d) que seja julgado procedente o presente mandamus, reconhecendo-se a ilegalidade da disputa em que o Impetrado venceu (item 2.1), anulando aquele placar aviltante e dando a vitória "não-simples" ao Impetrante pelo justo resultado de 1.000x0.

Data máxima vênia, dá se o valor da causa dois tapas na bunda da Flávia Alessandra, que é coisa do Senhor...


Dr. Zohrouástro Alcebíades Q. Praxedes
OAB/Planeta TERRA 000.000.001

PS.: tô doido para ganhar esta causa! Imagina: 20% do valor da causa já me faz feliz! Ah... e foi depois desse processo que sofreu que o homem aprendeu que nunca se deve emprestar a bunda... nem tentar plagiar a bunda de outro alguém (sem ao menos lhe dar os créditos, é lógico!!)




[Terça-feira, Novembro 27, 2007]





Nossa primeira convidada para a sessão de perguntas - utilizando, logicamente, o famoso MSN - para o blog dos Inimprestáveis é a britânica Sarah Carmen, de 24 anos, que ficou famosa no mundo todo por conta de possuir uma raríssima doença intitulada "síndrome da excitação sexual permanente", que a faz ter orgasmos pelos motivos mais banais, como por exemplo, manusear um secador de cabelos vibrando em suas mãos. Conforme reportagem no jornal "News of the World", Sarah desenvolveu a doença quando tinha 19 anos e um médico da sua cidade a receitou antidepressivos. A partir daquele momento, a jovem britânica se viu numa situação que muitos acreditam ser benéfica, pois sua excitação aumentou gradativamente e hoje atinge a incrível marca de 200 orgasmos diários. Ao que tudo indica, o medicamento atingiu "em cheio" o ponto G da jovem, não é mesmo? Com tanto "prazer" em sua vida, infelizmente, os orgasmos múltiplos começaram a prejudicar sua vida, pois periodicamente Sarah tem que parar tudo o que está fazendo para ir ao banheiro, se enclausurar até os sintomas do orgasmos de dissipar. É mole?

Sarah Carmen diz: Hello?
Crewdylene Chup-Chup diz: Putaqueopariu... você, depois da Bruna, é minha ídola...
Sara Carmen diz: What? Who are you?
Sandra Rosa diz: Crew, acho que ela perguntou quem é você?
Astrogildo diz: Ihhh... não entendo nada de inglês?
Sarah Carmen diz: Who are you? Are you crazy? How do you got my address?
Sandra Rosa diz: Fudeu! Não sei quase nada de inglês, mas esta palavra aí, "crazy", tá numa música do Aerosmith...
Tiburcino "Não-Não" diz: Grande idéia, grande idéia de entrevistar esta dona aí, a "gozadeira", mas esquecemos que nenhum de nós fala inglês!
Sarah Carmen diz: I am not understanding...
Crewdylene Chup-Chup diz: Que foda! E eu bem querendo um autógrafo dela... alguém sabe como se diz autógrafo em inglês?
Sandrinho da Balayage diz: Ai, eu acho que sei! Quando o Rick Martin veio aqui no Brasil eu fui no show, sabe? Aí eu decorei a palavra, que é... como é mesmo... tem um negócio de handy, rand... ai, me sumiu a palavra...
Crewdylene Chup-Chup diz: Pensa aí, vai...
Sandrinho da Balayage diz: ... ai, já sei: handwritten
Crewdylene Chup-Chup diz: Sarah Carmen, eu preciso de um handwritten seu! Tem como?
Sarah Carmen diz: What? Handwritten? For you?
Crewdylenne Chup-Chup diz: Yeah...
Sandra Rosa diz: Aêeee, Crewdylene... escondendo o ouro, hein? Você falou que não sabia nada de inglês mas sabe, né?
Crewdylene Chup-Chup diz: Que isso, gente! E eu trabalho com quê? Estas palavras de "yeah, fock me plis" ou aqueles gritinhos "ow, ow, ow, yeah, oooohhh" eu sei muito bem o que significa...
Sarah Carmen diz: Wait! Ohhhhhhhhhhhhhhhhhh...
Tiburcinho "Não-Não" diz: Quê?
Sandra Rosa diz: Acho que ela gozou!
Sarah Carmen diz: Sorry! I had an orgasm reading this phrase...
Crewdylene Chup-Chup diz: Ihhh... e teve mesmo!
Astrogildo diz: Como você sabe, Crews?
Crewdylene Chup-Chup diz: a palavra orgasm aí, Astrogildo...
Astrogildo diz: E se a gente utilizar o Freetranslation? Um amigo meu, que tem um blog, só usa este link para tradução...
Sandra Rosa diz: Boa, Astro, boa... pergunta pra ela então quantas vezes ela já gozou hoje!
Astrogildo diz: Espera...
Astrogildo diz: Sarah, how much times you came today?
Sarah Carmen diz: Now I understood! Today I enjoyed more or less 134 times...
Sandra Rosa diz: Benzadeus... só pelo número já saquei! Astro... pergunta se ela tem escova de dente elétrica!
Astrogildo diz: Vamo lá: Sarah... you have brush of electric tooth?
Sarah Carmen diz: Electric toothbrush? Yes, I do... my first orgasm of the day is brushing the teeth...
Astrogildo diz: Ela falou que a primeira gozada é escovando os dentes...
Sandrinho da Balayage diz: E limpando a bunda? Pergunta, pergunta...
Astrogildo diz: Sarah, and clearing up the bottom?
Sarah Carmen diz: I enjoy when I defecate and when I clean also...
Sandrinho da Balayage diz: Já entendi, já entendi...
Astrogildo diz: E limpando os ouvidos?
Sarah Carmen diz: What?
Astrogildo diz: Sorry... and clearing the ears?
Sarah Carmen diz: Ow... Don't exist better orgasm than using cotton swabs... hair clamps also turns me on... and what about match toothpicks...
Sandra Rosa diz: Quê?
Astrogildo diz: Peraí que vou colocar no Freetranslation: Não existe gozada melhor do que usando cotonetes de algodão... grampo de cabelo também me faz gozar... palitos de fósforo então, nem se fala...
Tiburcinho "Não-Não" diz: Vou perguntar o que ela não empresta nem fudendo: what do you not lent? Do you already lent something and regret sometime? Had the object back? It would lend once again?
Crewdylene Chup-Chup diz: Quê? Traduz aí, Tibúrcio!
Tiburcinho "Não-Não" diz: Perguntei para ela o que não se empresta, se já emprestou alguma coisa e se arrependeu alguma vez, se teve o objeto de volta e, finalmente, se emprestaria novamente?
Sarah Carmen diz: Ow... I do not lend never my woolen blanket... he pinches myself all around, and I dream that I am cumming crazily all night... my woolen blanket I do not lend.
Astrogildo diz: Ela falou assim: eu não empresto jamais meu cobertor de lã... ele me pinica toda e eu sonho que estou gozando alucinadamente toda noite... meu cobertor de lã eu não empresto.
Sandra Rosa diz: Vai gostar, sô! Acho que nem o meu Sydão, que é duro na queda, aguenta uma mulher desta...
Sarah Carmen diz: Ohhhhhh.... sorry... my cell phone vibrated and I am having a multiple orgasm... I should go to the toilet... goodbye!
Sandra Rosa diz: Ok, Carmen... muito obrigado pela entrevista!
Tiburcinho "Não-Não" diz: É isso aí...
Crewdylene Chup-Chup diz: Boas gozadas!!
Sarah Carmen diz: Thanks! Kisses for you all...
Sandrinho da Balayage diz: Ai, espera, Sarinha... que droga, já foi! Eu queria saber se o problema dela era genético! E também se ela tem irmão... já imaginou? Hummm... nossa, até arrepiei... ui!

P.S.: O que? Você não sabe quem é Sandrinho da Balayage? Não sabe nem o que é uma balayage? No próximo post você vai descobrir...




[Segunda-feira, Novembro 26, 2007]



- Quer uma carona, Dona Clotilde?
- Claro que sim, Dona Apolinária... está indo para onde?
- Para o shopping...
- Nossa, Dona Apolinária, que carro lindo o da senhora...
- Não, não é meu não, Dona Clotilde... é do meu filho, o Astrogildo!
- Lindo mesmo, "benzodeus"...
- É...

(blá blá blá)

- ... e tudo pela hora da morte! Veja o preço das coisas, inflacionadas por conta da alta do petróleo...
- Falando nisso, hoje, quando peguei o carro emprestado do meu filho para poder fazer compras para a Ceia de Natal, percebi que o bichinho estava sem gasolina...
- Ô... tem um posto logo ali...

(parando o carro próximo às bombas)

- Por favor, seu frentista... coloca aí, deixa eu ver...
- Este carro, de tão novo, deve ser flex, né Dona Apolinária?
- Flex? O que é isso?
- É daqueles carros que aceitam muitos combustíveis... coisa da modernidade!
- Ah, então deve sim, Dona Clotilde... bem, vejamos: seu frentista, coloca aí R$ 10,00 de gasolina, R$ 20,00 de álcool, R$ 15,00 desta aditivada que está com o preço bom e outros R$ 10,00 de óleo diesel. Ah, e põe um pouquinho de gás natural aqui neste tubinho...

(carro parado, dois quilômetros depois de sair do posto de gasolina)

- Alô, filho... o seu carro pode ser novo, mas é uma merda! Tá parado aqui na Avenida Belford Roxo e avacalhando todo o trânsito...

NÃO SE EMPRESTA: CARRO FLEX para quem não sabe o que é flex.

Astrogildo Silveira.
Ps.: como dizer não para sua própria mãe, como? Como dizer não e ouvir "mas eu te carreguei 9 meses dentro da minha barriga, como é que você não vai me emprestar seu carro para eu poder fazer compras, seu ingrato?" Emprestei! Emprestei e me lasquei... de novo! Mas o pior foi é o cheiro impregnado de gás natural quando ligo o ar-condicionado...




[Quinta-feira, Novembro 22, 2007]

Oi, amigos inimprestáveis! Sou eu, a Samaritana. Voltei, mas voltei só para falar que caí em tentação novamente e emprestei... emprestei e me ferrei! Sumi por muito tempo do blog porque me casei, acredita? Casei faz um mês com o Clodoaldo, um baiano gostoso que conheci no Orkut. Marcamos encontro e nos apaixonamos instantaneamente. O Clodô é um moreno alto, forte, olhos verdes, estilo atleta de natação... meu Jesus, como não ficar caidinha por ele? Pois é! Eu, recentemente, fui promovida de caixa para gerente na loja de produtos homeopáticos onde trabalhava desde meus 20 anos. Com isso, a tão sonhada promoção, fiquei bastante ocupada, atarefada mesmo, pois a loja, que fica num enorme shopping aqui na minha cidade, abria, inclusive, aos domingos. Clodô sempre tinha uma coisa para fazer todos os dias e, amável como sempre, sempre pedia minha presença mas eu, infelizmente, não conseguia me desvencilhar do meu trabalho. Nisso ele, certo dia, me chamou para ir assistir à uma peça teatral e eu disse que não podia, pois tinha que fechar o balancete da loja, e meu amorzinho, já com dois ingressos na mão, me pediu emprestado a minha mãe! É... ele me pediu emprestado a minha mãe, Dona Arlete, para acompanhá-lo ao teatro. O que eu poderia falar? Nada! Emprestei minha mãe.

Dona Arlete, minha mãezinha, é uma mulher linda! Teve dois filhos, eu e o meu irmãozinho (que hoje mora no Cazaquistão), e sempre cuidou muito bem da aparência (ainda mais depois que papai a abandonou, isso quando éramos crianças...). Liguei para mamãe falando que ia emprestá-la ao Clodoaldo naquele dia e ela topou, pois queria muito, também, assistir à peça. Depois disso emprestei minha mãe para ir com meu amor à um churrasco da firma onde ele trabalhava (era sábado, véspera de Natal, não tinha como não trabalhar...), emprestei minha mãe para ir com ele à praia do Tatu Caranguejo-Açú (era um final de semana, lembro disso como se fosse ontem, e estava num Congresso de Homeopatia em Santa Catarina...), emprestei e emprestei minha mãezinha para muitas e muitas coisas.

Fiquei noiva. No outro dia fomos procurar um apartamento para alugar, mas como andava sempre ocupada, adivinha quem eu emprestei para o Clodoaldo procurar o nosso cantinho? Mamãe, sempre mamãe para quebrar o meu galho. No dia do casamento, Samaritana aqui estava linda e estonteante. Entrei na igreja toda eu, glomourosa. Clodoaldo suava frio, Dona Arlete era só lágrimas, meus convidados todos lindos e sorridentes. Meus sonhos todos estavam se realizando naquele momento. Casei em setembro deste ano! Casei e, como sou uma mulher de negócios, bem decidida, autosuficiente e tudo o mais, convenci Clodoaldo para deixar para a gente viajar no mês de outubro, porque justamente no mês nove uma funcionária teve que afastar por conta de licença maternidade e a outra, uma caixa, foi pega dando um desfalque no caixa e tive que mandá-la embora. Até treinar outra caixa, e com o casamento, festa, tudo marcado para setembro, não dava de jeito nenhum para viajar em lua de mel. Pena que Clodoaldo pegou seus 30 dias de férias, tadinho, e ficava horas e horas em nossa casa, sozinho, aguardando eu chegar para fazer sua janta (meu marido não sabe fritar um ovo, coitado). Certa manhã ele me ligou, morrendo de fome, já preocupado com o que ele iria almoçar.

- Samaritana, que fome que estou, meu cheiro...
- Ai, Clodoaldo... tá com fominha, é?
- Demais, meu dengo... vem pra cá fazer um acarajé pro seu neguinho, vem?
- Não tem como, amor... estou muito ocupada...
- Então me empresta de novo sua mãínha... para fazer um almoço pra mim...
- Tá bom, amor... vou ligar para ela para passar aí, tá?
- 'Brigado, meu cheiro...

Liguei para Dona Arlete que me atendeu toda sorridente. Pedi o favor, se desse, que passasse no apartamento para fazer uma comidinha para Clodoaldo e ela aceitou na hora, falando, inclusive, que estava até perto lá de casa. Que bom, né? Ótimo, pois agora iria trabalhar despreocupada.

Despreocupada, mas não isenta de uma dor de barriga que veio assim, do nada! Ah, mas eu estava passando muito, mas muito mal... e resolvi ir para casa (gente, eu só cago em casa). Peguei um táxi na porta da loja e rumei para meu apartamento, correndo correndo. Abri a porta e dei de cara com a cena...



... minha própria mãe dando de comer para meu marido!

É por isso e por outras razões que não se empresta mãe, nem fudendo!

Samaritana
Ps.: o clima ficou pesado lá na minha residência! Clodoaldo virou para mim e, na cara de pau, me confidenciou que não era a primeira vez que ele emprestava seu corpinho musculoso para satisfazer a lascívia da Dona Arlete! Eles tinham um tipo de acordo e, naquele dia, minha mãe iria fazer um bobó de camarão para ele, mas depois do meu marido saciar a fome de peru dela! Agora fico aqui, imaginando, o que ela pediu quando teve o teatro, o churrasco na empresa... a praia do Tatu Caranguejo-Açú!




[Sexta-feira, Novembro 16, 2007]

O nada.



Ter tudo e não ter absolutamente nada ao mesmo tempo
Poder compartilhar com todos, com ninguém
O nada

Pesa nos bolsos a falta de tudo, ter o nada
Não contentamos nada ter no estômago, enquanto outros de tudo se abarrotam
O nada material, imaterial, coisa que não existe: não existe!
O nada se torna presente em qualquer momento.

Não se empresta o nada, assim como não devemos emprestar tudo
Não nos alegramos por nada, mas sim por tudo... às vezes.
Não ter tudo, não ter nada, tudo questão de se ter ou não, o meio termo.
O nada dói, assim como tudo que existe.

De nada se adiante ter tudo se nada temos no final
No final das contas
No final da vida
No fim de tudo, o que nos sobra é o nada

E o nada não se empresta: o tudo sim.




[Quarta-feira, Novembro 14, 2007]

Aêeeee, choqueeee! Saudades mil de vocês todos, todos mesmo! Caraleo, hoje vou te contar uma coisa que não empresto nunca, nunca, nunca mesmo outra vez: roupas! Minhas roupas, nunca mais!



O ano era 2005, eu praticamente havia entrado, de peito aberto (e outras partes corpóreas), no mundo do dinheiro fácil (fácil... humpf... fácil é a pinóia) e conheci, no XIII Congresso das Prostitutas Brasileiras, realizado no Rio de Janeiro, a Sylmary. A Syl também estava começando à trilhar o caminho e era bem descolada na arte de seduzir um homem. Beleza... ficamos amigas! Ela era super gostosa, gostosona mesmo, e não morava no Rio, mas sim numa cidade do interior do Paraná, se não engano, e seu sonho era conseguir uma boquinha numa boate de strip carioca ou paulista. Só sei que conversamos muito naqueles dez dias em que durou o Congresso, e trocamos endereço. Vira e mexe recebia e-mail dela, inclusive uns com vídeos em que a própria era a artista principal. Um belo dia atendi o telefone daqui de casa...

- Alô, queria falar com Crewdylenne!
- Quem desejaria falar?
- É a Sylmary....
- Syl?
- Oi... é você, quenga?
- Ai, amiga, quanto tempo...
- Pois é, Crew... tá podendo falar?

A Syl estava vindo para minha cidade e pediu que eu a buscasse no aeroporto... em exatas duas horas! Caraleo, ainda bem que não havia marcado nenhum programa para aquele dia! Peguei o táxi do Jorjão (um taxista chegado, às vezes cliente... para falar a verdade, nem sei quem é cliente, se sou eu ou o Jorjão...) e me piquei para lá! Cheguei em cima da hora (o trânsito tava uma merda, lembro disso como se fosse ontem) e, lá no balcão de atendimento, vi minha amiga...

- Ai, Crew... aconteceu um desastre?
- Ai ai ai.. que aconteceu, Syl?
- A companhia aérea extraviou minha mala... ela tá lá na Coréia do Sul!
- O quê? Mas como?
- Sei lá... só sei que estou aqui, na sua cidade, só com a roupa do corpo...
- Meu Jesus...
- E o pior, Crew, que tô com um encontro com uns empresários hoje, amanhã e depois de amanhã...
- Acalme-se, Syl...
- ... e minhas roupas, todas as minhas roupas, foram parar lá na Europa...

Tadinha da Syl. Nestas horas de desespero a gente até confunde onde é que fica um país! Ainda bem que não ri nem consertei a frase da minha amiga... imagine só se a Coréia do Sul ficasse na Europa? Todo mundo sabe que fica na África e que recentemente foi abolido o preconceito racial entre os coreanos brancos dos coreanos negros.... como é que chama mesmo.. apartheid.

- Olha, não fique assim que a gente dá um jeito...
- Crewdylenne, eu preciso de sua ajuda... me empreste algumas de suas roupas!
- Minhas, mas minhas... mas é lógico, Syl... é lógico!

Ah, a amizade entre duas putas! Não há nada mais forte que os laços entre uma prostituta e outra! Peguei o táxi do Jorjão de novo e fomos para minha casa!

- Aê, Crewdylenne - disse o Jorjão, na porta de casa - a corrida deu R$ 120,00 ...
- Meu Deus, caro assim?
- Quanto foi, amiga? - disse a Syl...
- É.... cento e vinte... você tem...
- Aaaaahhhhhhhhhh.... minha carteira com meu dinheiro!
- Que tem?
- Meu Deus... deve ter ficado dentro da mala...

Enquanto pagava o Jorjão na sala (entendeu, né?), Syl revirava meu guarda-roupas. Vez ou outra aparecia lá e pedia opinião de como ficou com minhas próprias roupas...

- Ai, que fofo, Crewdy...
- [Arf, arf, arf] Ui, que foi?
- Ai, este vestido vermelho ficou ótimo...
- [Arf, arf, arf] Este aí é um... ai, Jorjão... este aí é o meu preferido...
- Ai, vou usar ele hoje... me empresta?

Emprestei meu Versace! Emprestei, ainda, meu amigo taxista, o Jorjão, para levá-la no tal do compromisso! Jorjão me cansou tanto que não tive ânimo para sair para trabalhar: fiquei em casa, dormindo. Acordei às 07:00 da manhã do outro dia com a campainha tocando: era a minha amiga, a Syl. Abri a porta e quase tive um enfarto...

- Syl? Menina... que aconteceu? Meu Deus... meu vestido...
- Crew, Crewdylene... que loucura...
- Menina.... meu vestido tá todo... rasgado!
- Foram os caras do programa... eles eram uns animaaaaaais....
- Mas o meu... Versase...
- Depois eu te arrumo outro, Crew.... não esquente! Agora preciso de um banho, um sono gostoso que à noite tem mais...

Três dias deste jeito. Syl estragou meu Versace no primeiro dia, arruinou meu vestido de camurça branco (que eu amava) entornando vinho nele e, por último, falou que um cliente bêbadaço apagou um cigarro no meu Valentino, um que eu ganhei de um cliente podre de rico (e que só me deu o vestido com uma observação: que eu só poderia usar o vestido com ele). Como eu fui ingênua... como fui burra!

No último dia dela aqui na cidade, fomos levá-la ao aeroporto. Eu e o Jorjão, do taxi. Eu já não raciocinava mais, só pensava no prejuízo que minha amiga me deu e como eu iria falar com o meu bofe (do Valentino) que havia perdido meu vestido... meu Deus, estava, literalmente, fudida e mal paga! Syl se despediu da gente, entrou no seu avião e sumiu! Aquela foi a última vez que a vi... depois disso, nunca mais. Mas o pior, o pior estava por vir...

- Crewdylenne, nunca pensei que você fosse tão assim, mão aberta!
- Mão aberta? Que mané mão aberta o escambau, Jorjão...
- Caraleo... mão aberta sim! Tu hospedou a Syl no seu cafofo, deu comida, abrigo, cama, tudo, inclusive emprestou suas roupas...
- Emprestei porque a mala dela foi parar em outro país, Jorjão...
- Hã? Peraí... ué, mas ela falou que veio para cá só com a roupa do corpo...
- Quê? Como assim...
- Ah, ela me falou, enquanto eu a levava para um programa ontem no Boate Foc-i-u-beibe, que não iria usar as roupas caríssimas dela, justamente porque os clentes daqui já avisaram que iriam rasgá-la toda...
- Hã? Peraê! Como? Não estou... hã?

Crewdylenne Chup-Chup
PS.: Viu? Vai emprestar, vai? Mas o pior, o pior, o PIOR MESMO foi deixar a conta do táxi do Jorjão para eu pagar! Fiquei um mês dando de graça para aquele taxista sem vergonha... ô prejuízo da porra!




[Segunda-feira, Novembro 12, 2007]

Não se empresta: xícara de açúcar pro vizinho.



Desde o episódio das moças da Bulgária, o controle remoto e a visita dos meus pais, eu e Sidney demos um tempo, porque eu fiquei puta da cara. Estamos até hoje sem nos falar e, obviamente, eu estou sem namorar e sem fazer aquelas outras coisas que todo mundo faz.
Nesse período, o escritório de arquitetura me pagou umas horas extras (que eu ia tirar pra viajar com Sidney) e eu, nesta situação de fazer amizade com as aranhas, fui ao sex shop mais próximo comprar o mais novo, éam... hit do momento, o maravilhoso e ritmado ohMyBod. Gente, aquilo é um luxo!
Depois de semanas de uso do brinquedo, eu já estava enjoada de fazer a coisa ao som de La Isla Bonita, Corazón Partío, Careless Whispers e outras músicas pra lá de bregas. Já tinha perdido a graça, e tudo o que eu queria era uma forma minimamente masculina dividindo o recinto comigo, e olha que eu nem ligava pra trilha sonora. Até que aconteceu da minha campainha tocar.

Eu sempre vi isso nos filmes, nas novelas e nas piadas, mas nunca acreditei que fosse possível aquele vizinho gatão ou aquela vizinha gostosa tocarem a campainha pedindo emprestada uma xícara de açúcar. Quem é que pede comida emprestada?
Mas meninos, eu vi.
Numa triste noite, eu vestia meu pijama de ursinhos polares, e estava pronta pra abrir a gaveta e sacar o instrumento musical, a campainha tocou. Eu fui abrir, meio descabelada e ainda com a "flauta" na mão, quando vi aquilo. Era uma coisa toda músculos, tinha olhos azuis, um cabelo castanho maravilhoso, parecia que tinha sido feito pelo meu cabeleireiro, o Sandrinho. Que homem. Eu abri a porta e, depois de 30 segundos em silêncio meditativo profundo sobre o peitoral dele, eu consegui dizer "Boa noite".

- Boa noite. Dixculpa te incomodarr, maix eu queria te pedir impreixtada uma xxícara de açúcarr...

Desse jeito. O homem-maravilha ainda era carioca. Ai, os meus bons tempos de mestrado na UFRJ...

- É que o meu...
- Só um minuto.

Cacete. A tensão foi tanta que eu simplesmente esqueci da regra de ouro. Não se empresta NADA! E lá fui eu pra cozinha, cega, com a xicrinha do homem-maravilha na mão, encher a danada de açúcar até notar o açúcar derramando na pia. Ai. E pra piorar, esqueci completamente da existência da flauta mágica, que estava toda prateada nas minhas mãos. Que mico.

- Tá aqui.
- Olha, brigadão. Depois eu te trago uma xícara cheinha. A propósito, eu moro ali no 302.

302 vezes CARALEO. Esse monumento açucarado morando na porta ao lado e eu nunca tinha me dado conta? Jesus me chicoteia!
E no domingo seguinte eu toquei lá, com a desculpa de uma xicrinha de farinha. Sabe como é, a farinha acabou e eu queria fazer umas panquecas. Depois te trago umas duas, com geléia. E no outro domingo ele veio pedir mais açúcar. Duas xícaras. E eu retruquei na quinta à noite pedindo dois ovos. Ai, que a minha mente é mais poluída que o Tietê. Depois de um mês nessa lenga lenga, só eu, a minha imaginação e o ohMyBod, eu me estressei e interfonei pro homi:

- Olha eu sei o que você quer e eu também quero.
- Hã?
- Vamos parar logo com essa viadagem.
- O QUE???
- É, meu filho, tô indo pro seu apartamento agora.

E fui pisando duro pelo corredor, pisando duro no elevador, indignada com a vida e, ao mesmo tempo, sedenta de pegar o cidadão e transformar ele em retalhos.
Toquei a campainha e, assim que a porta abriu, eu parti pra cima. Deuzulivre. Parecia que eu tinha virado um monstro. Ou que estava há 3 meses sem ver a cor.
Segunda opção.

O visual ajudava muito, uma vez que o material era de primeira e dourado de sol, mas poxa, custava dar um upgrade na performance, pra agradecer à vizinha pelas tantas xícaras de açúcar emprestadas? Eu não sei se era só a seca que estava agressiva demais, mas a impressão que eu tinha era de que o cidadão não estava nem aí pra Hora do Brasil. Foi uma das transas mais meia-boca que eu já tive. Voltei pra casa meio down, mas paciência. Pelo menos eu tinha saído daquela gastura, e ainda tinha faturado o homem mais gato do prédio. Quem sabe da próxima vez...

Na semana seguinte, abri a janela de tarde e vi o cidadão chegando da caminhada. Suado. Ai, que loucura. Brilhando. Ai, que loucura. Cabelinhos molhados balançando ao movimento. Ai, que loucura. Eu já estava encarnando a Narcisa Tamborindegui, quando decidi vestir o robe e tocar a campainha assim que ele adentrasse o apartamento. Ele entrou no prédio, eu vesti o robe, borrifei um perfuminho, soltei o cabelão e fui à luta.

Blim blom
A porta se entreabre.
- Boa tarde...
- Oi! Er...
- Posso entrar?
- NÃO!
- Hã?
- Er... não agora, é que...
- É que o que, honey... me deixa entrar pra te emprestar uma xícara de prazer...
- Mas é que...
Ficando puta
- Gato, que porra é essa? Me deixa entrar nesse apartamento!
- Na..
Uma voz masculina (?) lá de longe
- Mas que sururu é esse aqui, bofe?
- Bofe????
- Ai...
- Que voz de racha é essa aí, docinho?? (a voz se aproximava)
- Racha??? Tu...
- Sandra Rosa?? MONAAAAAA!!!!!
- Sandrinho????
- DIVA MAIORRRRR!!!! Que que tu tá fazendo aqui, estrela?
- É que o seu... er...
- O meu bofe? Vocês se conhecem?
Putaqueopariu. "Meu bofe". Era isso que tava faltando.
- Eu emprestei umas xícaras de açúcar pra ele e vim cobrar.
- De robe? Sei.
- Ah, Sandrinho, eu dei pro seu namorado semana passada e agora ele tá me destratando, pronto.
- Como é que é??
- Ai... (o outro bofe constrangidíssimo)
- Ai, Sandrinho, eu não sabia nem que ele era gay, quanto mais que era o SEU bofe, porra! Que que eu vou fazer se ele é um gostoso? Eu tava era querendo bis!
- Tá boa, santa? Respeita o bofe alheio!
- Pra que você foi me pedir açúcar emprestado então, sua bicha?
- É, honey. Pra que você foi tocar na casa da racha descontrol?
- É que... poxa, acabou o açúcar aqui em casa bem na hora do chá do Sandrinho! Ele ia chegar e eu não tinha nem um cristalzinho!
- Putaqueopariu, Sandrinho.
- Putaqueopariu mesmo, hein, Sandra Rosa Madalena...
- E você, hein, "bofe alheio"? Nem pra abrir o bico!
- Você nem me deixou falar!!!
- E não deixa mesmo, xuxu. Essa racha é um pe-ri-go.
- Ah, vão tomar no cu, vocês dois.
- UIII!!! Que tudo!

Com a cara no chão estava, com a cara no chão permaneci. E assim, fui pra casa contar os cristais de açúcar disponíveis, uma vez que tinha doado todos em prol de um vizinho gostoso que nem hétero era. Depois dessa, nunca mais emprestei nada comestível, nem para ser comida.

E agora me dá licença de ir ali comprar um milkshake de Ovomaltine, que eu já tô hipoglicêmica!

Sandra Rosa Madalena
Ps.: Esse episódio foi o mais traumatizante. Emprestei uma coisa MAIS DE UMA VEZ, catei um bofe gay e perdi meu cabeleireiro, o melhor que já tive. Acho que vou começar a tomar adoçante. E talvez eu bata na porta da minha vizinha do 411. Até que ela é jeitosinha...